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terça-feira, 8 de abril de 2008

No ônibus

A um passo do espaço reservado, entro no carro e paro.

"Chacoalho"? Sim, chacoalho dentro da loucomotiva e os olhos, pra onde, pra onde devo apontá-los? Não olho para a moça que me encara ao lado, nem ao destinto senhor grisalho, muito menos à bela porém gorda senhora sedentário.

Para onde mandar meus olhos?

E meu desejo?

E minha sede?

São trinta minutos de jogo, de onde olho por céu e pro vidro, sujo, que me encara se o encaro mas foge se assim decidir fazer. Por quê a imagem do vidro teima em igual a mim fazer? Estou afito: olho pro olho que está ali refletido e ele me encara com veracidade, e aí me desespero porque olho com tudo, menos verdade, e como encarar a verdade que se encontra naquele olhar refletido, forte, voraz e decidido, se aquele seria eu, será que não sou mais eu?

Encaro o outro lado, encaro as paredes, vejo o mundo feio que se encolhe na janela, às vezes vejo a chuva, outras vezes só o embaraço, também há o vento que brinca no cabelo da menina, e o suor, sapeca, que teima em surgir de onde? Lapela? Capela? Dela!

Olhar pra onde dentro da Loucomotiva se os olhos ali presos estão presos ao presídio que é a vida em sua instância menos bonita? É vida sobreviver todos os dias? Sobreviver assim, o que seria o estado de vegetação, afinal, se estamos todos vivos, mas cada um em seu centímetro cúbico, calado, economizando as forças para o outro dia?

Penso
Penso
Penso
Penso

São dez e meia, mas ainda não são onze, agora que meu percurso chega ao meio, em que mais refletir: pensar sozinho, estar sozinho e nãodividir com ninguém o que se esconde.

Preciso que me digam: conte-me.

Conte-me...

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